O Valor de um Representante da Nossa Terra

Por Ana Sales
A gente só se dá conta de certas coisas quando realmente presta atenção. Tipo como, sem alguém daqui que de fato nos represente, Paulínia e toda a nossa região se tornam meros cenários – belas nas fotos, lembradas nos discursos, mas ignoradas quando o assunto é planejamento, investimento ou prioridades.

Em todo pleito eleitoral, a mesma cena se repete. Inicia-se o desfile de pessoas que jamais estiveram por perto, mas que agora conhecem cada rua, cada problema e até arriscam provar um pastel na feira. Chegam com sorrisos ensaiados, frases feitas e promessas sem validade – tudo meticulosamente planejado. Como se ainda fôssemos ingênuos.

Todo ciclo eleitoral é uma romaria. De repente, quem nunca pisou aqui aparece em cima de carro de som, abraça quem nunca viu e promete tudo com o mesmo roteiro de sempre. Como se nossa carência fosse sinônimo de ingenuidade. Como se a gente tivesse memória curta.

Mas deputado de verdade não chega de helicóptero. Chega porque sempre esteve. Já lutou por nós, ouviu mais do que falou, tem história na comunidade. Representatividade não se improvisa na véspera da eleição.

Um mandato é um canal. Uma voz que fala em nosso nome, uma caneta que assina por nós. E quando essa caneta cai nas mãos erradas, os recursos escorrem para outras cidades, outras prioridades. A gente só percebe quando pede e não recebe. Quando grita e não é ouvido.

A lógica é simples: sem representatividade, não há visibilidade. Sem visibilidade, não há investimento. Fica tudo para depois. Para nunca. Para os outros.

Existem pessoas que não surgiram agora. Que sempre estiveram presentes. Que nunca foram embora. Que defenderam o que é justo, mesmo sem a presença das câmeras. Que apareceram antes das eleições e permaneceram depois. Que conhecem o nome do bairro, da dona do bar, do líder comunitário. Que entendem que representatividade não é algo para a campanha. É experiência de vida.

Paulínia e região não podem mais cometer erros.

Enquanto isso, continuamos a votar em quem não conhece o sistema de saúde pública, nem a educação. O resultado? Perdemos votos e ganhamos descaso. Votamos em quem leva tudo e pouco nos retorna. Ou nada.

Não podemos mais ser apenas curral eleitoral de quem nos trata como uma fonte de votos. Deputado que só aparece de quatro em quatro anos não representa. Visita.
E nossa cidade não precisa de turista. Precisa de guardião.

Um mandato não é um presente. É um instrumento. Serve para abrir caminhos, para acelerar projetos, para garantir que a cidade não seja apenas expectadora. Mas se essa ferramenta cai em mãos erradas, a cidade fica paralisada. E quando nos damos conta… já é tarde.

Já passou da hora de deixarmos de ser trampolim para quem só se lembra de nós na época das eleições. Não precisamos de políticos que só nos visitam. Paulínia precisa de um representante local. Precisa de alguém que já esteja aqui – de verdade.

As eleições estão próximas. E, mais do que escolher um nome, é hora de escolher um rumo.

Ou continuamos a ser apenas parte do cenário, ou nos tornamos os protagonistas da nossa própria história.

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