
58 novos pedágios automáticos (Free Flow) e mais 650 novos equipamentos até janeiro de 2025
O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) pretende implantar 58 novos pontos de cobrança automática de pedágios em rodovias do estado de São Paulo. O projeto, conhecido como Free Flow, já causa forte reação por parte de prefeitos, vereadores e moradores do interior paulista, que estiveram reunidos na última terça-feira (1º) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para debater os impactos da medida.
A modalidade Free Flow exige que motoristas cadastrem suas placas no aplicativo da concessionária responsável pelas rodovias. Quem não realizar o pagamento da tarifa em até 30 dias será multado em R$ 195,23 e perderá cinco pontos na CNH.
Um exemplo do impacto desse modelo é o pedágio instalado na Rodovia Rio-Santos (BR-101), que gerou mais de 1 milhão de multas entre setembro de 2023 e dezembro de 2024, ultrapassando a marca de R$ 200 milhões em penalidades.
❗ Críticas ao modelo
O deputado estadual Reis (PT), autor do Projeto de Decreto Legislativo n° 6/2025 que tenta suspender a instalação dos novos pedágios, afirma que a população foi surpreendida com a medida, já prevista em contratos de concessão assinados pelo governo. Segundo ele, faltou transparência e informação clara à população sobre como funciona o sistema, o que tem levado muitos motoristas a confundir os novos pórticos com radares de velocidade.
“O problema é que as pessoas só descobrem que têm multas acumuladas quando vão licenciar o veículo”, afirmou Reis. Para que o projeto avance na Alesp, serão necessários 48 votos favoráveis, algo difícil diante da base governista.
Entretanto, cresce a insatisfação também entre parlamentares da própria base de Tarcísio. O deputado Vitão do Cachorrão (Republicanos) declarou ser contra os novos pedágios:
“Nós não somos a favor desses pedágios. Como os caminhoneiros vão sobreviver? Terão que pagar para trabalhar. Estudantes que precisam se deslocar para cidades vizinhas serão prejudicados. Isso é um absurdo. Já pagamos IPVA, por que pagar ainda mais pedágios?”, questionou.
Outros deputados da base, como Carlos Cezar (PL) e Danilo Balas (PL), também já se manifestaram contra a proposta.
🚫 Rejeição nas Câmaras Municipais
O descontentamento não se limita à Alesp. Prefeitos e vereadores também reagem. O vereador Paulo Volcov (Republicanos), presidente da Câmara de Araçariguama (SP), classificou a medida como prejudicial à liberdade de ir e vir dos cidadãos:
“Não estamos discutindo ideologia. Estamos falando de uma indústria de multas que afeta diretamente as famílias que não têm familiaridade com tecnologia e podem acabar acumulando débitos. Isso impacta diretamente quem depende da estrada para trabalhar, estudar e viver.”
🚦 Impacto regional
Os novos pedágios devem atingir mais de 60 municípios nas regiões da Rota Sorocabana, Nova Raposo, Circuito das Águas, Rota Mogiana, Lote Paranapanema, Litoral Paulista e no Túnel Imerso Santos-Guarujá.
Um levantamento do próprio governo de SP aponta que cerca de 80% dos usuários da SP-304 (Rota Mogiana) são moradores locais, o que torna a cobrança ainda mais injusta para quem utiliza as vias em seus deslocamentos diários, e não em viagens longas.
O deputado Donato (PT) reforça que o problema vai além das rodovias principais:
“Estamos pedagiando a rotina das pessoas. São rodovias que servem a vida cotidiana da população. Isso vai encarecer o transporte, o frete e impactar toda a economia do estado.”
Donato defende, no mínimo, isenção de cobrança para moradores das cidades afetadas.
📢 Sem diálogo
Mesmo convidados, representantes da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) e do Palácio dos Bandeirantes não compareceram à audiência pública para apresentar esclarecimentos.
📍 Resumo:
✅ Tarcísio quer instalar 58 novos pedágios automáticos (Free Flow)
✅ Quem não pagar, será multado e perderá pontos na CNH
✅ Prefeitos, vereadores e deputados, inclusive aliados do governo, criticam
✅ População do interior será a mais afetada
✅ Reclamação principal: cobrança injusta, falta de informação e risco de “indústria de multas”
