por Gustavo Mayer

Americana (SP) – Moradores da Rua Vicente Sarra denunciaram mais um episódio de vazamento e extravasamento de esgoto na Elevatória 016, localizada próxima à nascente que deságua na represa do Salto Grande. O caso, ocorrido na última sexta-feira, reacende uma série de acusações de despejo irregular e má operação de estruturas do DAE (Departamento de Água e Esgoto), que já são alvo de inquérito policial criminal.

Represa e nascentes pedem socorro
Segundo os moradores João e Francisco, o problema vinha sendo registrado ao longo de toda a semana. Eles afirmam que a elevatória, construída de forma precária, não suporta a pressão e acabou liberando milhões de litros de esgoto diretamente sobre áreas de proteção ambiental, contaminando nascentes de água cristalina que abastecem a represa.
Tentativa de flagrante ignorada pela GAMA
De acordo com as denúncias, representantes da comunidade foram ao local por volta das 9h e acionaram a GAMA (Guarda Municipal de Americana) às 10h20 para acompanhar o flagrante ambiental, conforme orientação do Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente), coordenado pelo promotor Dr. Ivan.
No entanto, apesar de seis cobranças feitas ao longo do dia – às 11h20, 12h30, 13h30 e nos horários seguintes –, nenhuma viatura compareceu ao local.
A ausência, segundo os denunciantes, configura possível crime de prevaricação, já que agentes públicos foram informados, tinham conhecimento do dano ambiental em andamento e se omitiram de agir.
“Ficamos lá até as quatro da tarde. A GPA simplesmente não foi”, afirmou um dos denunciantes.
Esgoto se espalha por chácaras e áreas no entorno da represa
Com a falha da elevatória, o esgoto extravasou em grande volume e se espalhou por diversas chácaras que margeiam a represa do Salto Grande, provocando forte odor, contaminação do solo e risco direto ao ecossistema aquático.
Vídeos feitos no local mostram o acúmulo de detritos e a água escura avançando sobre áreas de vegetação.
Secretários chegam ao local, mas situação é “caótica”
Ainda segundo o relato, estiveram no local o secretário de Meio Ambiente, Fábio Renato, e representantes do DAE, incluindo o engenheiro Zé Antônio. Os próprios servidores teriam admitido não saber como conter a situação devido ao volume do vazamento.
Os denunciantes também afirmam ter registrado funcionários do DAE trabalhando sem Equipamento de Proteção Individual (EPI), o que configura nova irregularidade.
Acusações de tentativa de encobrir o problema
Em resposta às denúncias, funcionários do DAE alegaram que o vazamento teria sido causado por objetos pesados, como estopas, que teriam caído na rede e danificado o sistema.
O denunciante, porém, desmente a versão:
“É mentira. Filmei o cesto, estava limpo. O problema é que ampliaram o sistema, colocaram mais um cano sem instalar o cesto de retenção que impede que objetos entrem na bomba. Foi má execução de obra, projeto mal feito.” Masoca Presidente dos amigos da Represa do Salto Grande
Boletim de Ocorrência e envio ao Gaema
Sem apoio da Guarda Municipal, o grupo seguiu até a Delegacia de Polícia Civil, onde registrou boletim de ocorrência. As provas – fotos, vídeos e depoimentos – foram encaminhadas ao Gaema, que já conduz um inquérito criminal envolvendo o prefeito e secretários do DAE por outros episódios semelhantes.
“O promotor já está ciente, mandei tudo para ele”, afirmou o morador.
Matéria deve repercutir na imprensa
A situação deve ser exibida pela imprensa regional ainda nesta tarde. A denúncia também está sendo repassada a outros veículos de comunicação.
